quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dois e uma atração....

Sugar e ser sugado pelo amor

Sugar e ser sugado pelo amor
no mesmo instante boca milvalente
o corpo dois em um o gozo pleno
Que não pertence a mim nem te pertence
um gozo de fusão difusa transfusão
o lamber o chupar o ser chupado
no mesmo espasmo
é tudo boca boca boca boca
sessenta e nove vezes boquilíngua.

Carlos Drummond de Andrade

3 comentários:

  1. Amor – pois que é palavra essencial comece esta canção e toda a envolva. Amor guie o meu verso, e enquanto o guia, reúna alma e desejo, membro e vulva.
    Quem ousará dizer que ele é só alma? Quem não sente no corpo a alma expandir-se até desabrochar em puro grito de orgasmo, num instante de infinito?
    O corpo noutro corpo entrelaçado, fundido, dissolvido, volta à origem dos seres, que Platão viu completados:é um, perfeito em dois; são dois em um.
    Integração na cama ou já no cosmo? Onde termina o quarto e chega aos astros? Que força em nossos flancos nos transporta a essa extrema região, etérea, eterna?
    Ao delicioso toque do clitóris,já tudo se transforma, num relâmpago. Em pequenino ponto desse corpo,a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
    Vai a penetração rompendo nuvens e devassando sóis tão fulgurantes que nunca a vista humana os suportara,mas, varado de luz, o coito segue.
    E prossegue e se espraia de tal sorte que, além de nós, além da própria vida,como ativa abstração que se faz carne,a idéia de gozar está gozando.
    E num sofrer de gozo entre palavras,menos que isto, sons, arquejos, ais,um só espasmo em nós atinge o climax: é quando o amor morre de amor, divino.
    Quantas vezes morremos um no outro, no úmido subterrâneo da vagina,nessa morte mais suave do que o sono:a pausa dos sentidos, satisfeita.
    Então a paz se instaura. A paz dos deuses, estendidos na cama, qual estátuas vestidas de suor, agradecendo o que a um deus
    acrescenta o amor terrestre.

    [Carlos Drummond de Andrade]

    silvioafonso






    .

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  2. .


    A língua lambe as pétalas vermelhas da rosa pluriaberta; a língua lavra certo oculto botão, e vai tecendo lépidas variações de leves ritmos. E lambe, lambilonga, lambilenta, a licorina gruta cabeluda, e, quanto mais lambente, mais ativa, atinge o céu do céu, entre gemidos, entre gritos, balidos e rugidos de leões na floresta, enfurecidos.

    Carlos Drummond de Andrade

    silvioafonso





    .

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  3. Cheguei aqui por indicação da Reflexo...
    Estarei acompanhando.
    Bj.

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